Por Virginia Harness, estagiária de arquivo
Talvez seja injusto dizer que Ted Studebaker é uma "joia escondida". Na Igreja dos Irmãos, pelo menos, ele é uma espécie de lenda. Na época de sua morte, a história de Ted chegou a ser noticiada pela ABC. Ele era tudo menos desconhecido. Ainda assim, com o passar do tempo e as guerras do século passado se tornando cada vez mais distantes na memória cultural, parece importante revisitar o serviço de um homem cuja filosofia parece mais relevante do que nunca em nosso mundo assolado por conflitos.
Para aqueles que não conhecem a história de Ted, aqui está uma versão resumida: Ted era um jovem de Ohio, membro da Igreja dos Irmãos, que optou por um serviço alternativo quando foi convocado para o serviço militar. Ele se ofereceu para ir ao Vietnã como trabalhador agrícola pelo Serviço Cristão Vietnamita (VCS) e serviu na vila de Di Linh por mais de dois anos (ele optou por ficar por um terceiro ano, embora seu serviço obrigatório já tivesse terminado).



Ele se apaixonou por uma colega da VCS de Hong Kong, Lee Ven Pak, e eles se casaram em 17 de abril de 1971. Uma semana depois, o Viet Cong bombardeou Di Linh, fazendo com que seus ocupantes corressem para o bunker. No entanto, quando o Viet Cong entrou na vila, Ted Studebaker não estava no bunker. Ele havia retornado ao seu quarto, e lá os soldados o encontraram. Ted foi baleado e morto, aos 25 anos.
Ted trabalhou com uma minoria étnica no Vietnã, a quem ele se refere como Montagnard, um termo que remonta aos tempos coloniais franceses. Como o nome indica, o povo Montagnard habitava as terras altas do Vietnã, a cerca de 225 quilômetros a nordeste de Saigon, atual Cidade de Ho Chi Minh. Eles falavam sua própria língua, o que exigiu que Ted aprendesse não apenas vietnamita, mas também o idioma local, o koho. Ele trabalhou em diversos projetos durante sua estadia no Vietnã, incluindo um projeto para criar uma nova raça de galinha que produzisse mais carne e levar tecnologia agrícola para a aldeia remota, como uma polidora de arroz.
Embora o tempo que passaram juntos tenha sido curto, Ted estava claramente muito apaixonado por sua esposa e colega de serviço, Lee Ven Pak, ou "Pakdy". De acordo com um relato escrito por seu irmão Gary, Ted disse sobre sua noiva: "Nunca conheci uma pessoa tão genuína e honesta quanto a Pakdy, e humilde também! Não há outra maneira... com ou sem guerra, vou me casar. Oba!" O convite de casamento foi escrito em quatro idiomas: inglês, chinês, vietnamita e koho.


Antes de partir para o Vietnã, ele fez a seguinte pergunta à sua congregação: "O que posso fazer em relação à desumanidade do homem para com o homem?" Ted viveu sua resposta todos os dias até sua morte, e sua história nos faz refletir sobre essa mesma questão, mesmo 40 anos depois.