Os irmãos têm uma longa tradição de "reunir-se em torno da Palavra". Tomando o Novo Testamento como guia, discutimos o que Jesus fez — e porquê. Depois, procuramos moldar as nossas próprias vidas segundo o seu exemplo.
“Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome”, prometeu Jesus, “ali estou eu no meio deles”. Por meio das práticas descritas aqui, os irmãos se reúnem — em pequenos grupos ou em grupos maiores — em amorosa imitação das ações de Jesus. Nesses momentos, estamos especialmente conscientes da presença de Deus. Chamamos essas práticas de nossas ordenanças, porque as consideramos instruções de Deus.
Aprenda sobre o Batismo * Ceia do Amor e Comunhão * Lava-pés * Unção
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Batismo
Antes de assumir qualquer compromisso sério — casar, aceitar um cargo de responsabilidade, adotar um estilo de vida mais saudável — a pessoa considera o significado e as consequências dessa escolha. Frequentemente, ela participa de uma cerimônia pública para formalizar essa importante decisão pessoal. Para os Irmãos, a ordenança do “batismo de crentes” representa justamente esse compromisso deliberado e ponderado.
Escolher seguir o exemplo de Jesus começa com o arrependimento, ou seja, com um exame humilde da própria relação com Deus. O próprio Jesus nos mostrou o caminho: Ele pediu para ser batizado por João e instruiu seus discípulos a batizarem outros que desejassem renascer simbolicamente pela graça de Deus, para uma nova vida de fé e serviço maduros.
Trezentos anos atrás, os primeiros Irmãos escolheram o batismo de adultos como sua resposta cerimonial ao ato salvador de Deus — a vida, a morte e a ressurreição de Jesus Cristo. Hoje, na presença da congregação, uma pessoa recém-convertida ajoelha-se na água do batistério, reconhece publicamente sua decisão e é imersa três vezes para a frente, “em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”
Por meio dessa purificação e renascimento simbólicos, a pessoa torna-se membro pleno da congregação dos Irmãos e do corpo maior de Cristo. A decisão de ser batizado indica a disposição de assumir tanto a alegria quanto a responsabilidade de viver os ensinamentos de Jesus.
Festa do amor e comunhão
Num ato de grande amor, Jesus deu a sua vida pela nossa. Os Irmãos, como seguidores de Jesus, amam a Deus e uns aos outros — e levam esse amor ao mundo. Uma ou duas vezes por ano, os Irmãos celebram o que os primeiros cristãos chamavam de ágape: o amor que transborda, que busca não receber, mas dar.
Jesus nos ensinou essa prática, compartilhando com seus discípulos uma última refeição amorosa na noite anterior à sua morte. Ele lavou os pés dos discípulos, jantou com eles, procurou atraí-los para mais perto do seu amor e ofereceu-lhes o pão e o cálice simbólicos.
Durante a Festa do Amor, repetimos esses atos simples e significativos. Depois de reconciliarmos qualquer desentendimento entre nós, lavamos os pés uns dos outros com amor e, em seguida, desfrutamos juntos de uma refeição. Em silêncio, compartilhamos a comunhão, o pão e o cálice que nos lembram do grande dom de Jesus; renovamos nosso compromisso de seguir seu exemplo de amor sacrificial. As congregações também podem celebrar a eucaristia, ou comunhão do pão e do cálice, em outros momentos e em outros locais.
A festa do amor se encerra com um hino; em seguida, vem a humilde tarefa de arrumação, na qual todos são convidados a participar. Quando saímos da festa, reunidos em nossa dedicação a Cristo e uns aos outros, o amor profundo e nutritivo nos acompanha.
Lavagem dos pés
Jesus sabia que aquela noite, aquela refeição, seria a última vez que ele e seus doze discípulos se reuniriam como um grupo. Ele queria que seus seguidores se lembrassem, nos dias difíceis que viriam, por que ele havia vindo e o que lhes havia ensinado. Quando os discípulos começaram a discutir sobre quem era o mais importante, Jesus decidiu tornar sua lição clara: pegando uma toalha e uma bacia com água, este grande mestre ajoelhou-se ao lado do primeiro discípulo — e não parou até que, como um humilde servo, tivesse lavado os pés de cada um dos que ali estavam.
Ao incluir o serviço de lava-pés em nossa festa do amor, os irmãos imitam as ações de Jesus e honram seus ensinamentos. Ninguém deve ser maior do que ninguém, ensinou Jesus. O amor não precisa provar status ou posição; o amor simplesmente dá — e continua dando.
O lava-pés, um ato simbólico de purificação, prepara-nos para a refeição e a comunhão que se seguem. Lembra-nos que, aos olhos de Deus, todos precisam de atenção amorosa e que todos podem oferecer esse serviço aos outros. Primeiro, aceitamos humildemente a atenção e o cuidado daquele que lava os nossos pés. Depois, por nossa vez, lavamos os pés de outra pessoa. Após cada lava-pés, as duas pessoas se abraçam e trocam uma simples bênção.
Ao recebermos este emblema da graça purificadora de Deus, lembramos que, como seguidores de Jesus, podemos ajudar a distribuir a bênção de Deus aos outros — por meio de um serviço constante e amoroso, lavando simbolicamente os pés do mundo.
Unção
Em algum momento da vida, quase todas as pessoas — mesmo as mais devotas — podem sentir ansiedade, desespero ou adoecer. Seguindo as instruções do Novo Testamento, os Irmãos praticam uma ordenança chamada unção: a aplicação amorosa e em oração de óleo na testa de alguém que esteja passando por necessidade física ou espiritual.
Na maioria das vezes, os membros tomam a iniciativa de pedir a unção para si mesmos ou para membros de sua família. Recentemente, cada vez mais pessoas têm descoberto a unção como um poderoso símbolo de renovação e cura em toda a sua extensão. As pessoas pedem a unção antes de cirurgias ou durante doenças graves, e também em momentos de luto, turbulência emocional ou rupturas em relacionamentos.
O culto de unção geralmente é realizado em casa ou em pequenos grupos, embora algumas congregações o utilizem em cultos públicos. Há um momento reservado para a confissão. Em seguida, o ministro ou outro representante da igreja aplica óleo três vezes na testa, simbolizando o perdão dos pecados, o fortalecimento da fé e a cura do corpo, da mente e do espírito.
Por fim, o ministro impõe as mãos sobre a pessoa a ser ungida, por vezes convidando outros presentes a fazerem o mesmo, e ora especificamente pela preocupação expressa por essa pessoa. A imposição de mãos serve como um lembrete de que toda a congregação, presente ou não, se une em oração e apoio.