
Por Frances Townsend
Os delegados aprovaram uma resolução intitulada “Com Ações e em Verdade: Um Lamento sobre a Doutrina da Descoberta”. A resolução havia sido adotada por unanimidade pelo Conselho de Missão e Ministério em sua reunião de primavera e encaminhada à Conferência Anual como item 6 da pauta.
A resolução aborda as injustiças na história da Igreja em relação aos povos indígenas, mesmo que indiretas, e encoraja os irmãos a aprenderem a história, a nomearem os erros, a reconhecerem as maneiras pelas quais nos beneficiamos, mesmo que não tenhamos tido a intenção de causar danos, e a dedicarem um tempo para lamentar esses erros. A Igreja é chamada a desenvolver relacionamentos com as comunidades indígenas e a buscar maneiras de trazer cura e reparação aos povos nativos. “Comprometemo-nos a caminhar lado a lado com os povos indígenas enquanto idealizamos juntos um futuro justo”, afirma o documento.
A resolução descreve a Doutrina da Descoberta, que é a justificativa cristã para o colonialismo histórico praticado pelos europeus em todo o mundo. Essa doutrina provém de uma série de escritos e decretos papais, particularmente do século XV, e influenciou a história até os dias atuais. A doutrina concedeu aos cristãos europeus o direito de invadir terras ocupadas por pagãos, capturá-los, subjugá-los, escravizá-los ou matá-los, e tomar suas terras e posses. Em nome da Igreja, genocídio e escravização de povos nativos foram perpetrados em todo o mundo, e terras foram tomadas. Os documentos originais que tratam da Doutrina da Descoberta foram escritos pela Igreja Católica, mas muitas outras igrejas cristãs adotaram a ideia. Ela ainda serve de base para leis atuais, limitando os direitos e a soberania das tribos indígenas nos Estados Unidos.
A Igreja dos Irmãos não criou a Doutrina da Descoberta e não participou da ação militar que removeu os povos indígenas de suas terras, mas seus antepassados se beneficiaram, conforme observado na resolução. Os Irmãos foram pioneiros em terras que se tornaram disponíveis, muitas vezes a preços muito baixos, devido à remoção dos povos indígenas. A Igreja dos Irmãos não administrou nenhum dos internatos que separavam crianças indígenas de suas famílias, língua e cultura, forçando-as à assimilação, mas voluntários do Serviço dos Irmãos atuaram em algumas dessas escolas.
Esta resolução de arrependimento e ação pede aos membros da igreja que nomeiem os danos e busquem desfazer quaisquer sistemas que perpetuem o dano. Ao aprovar o documento, os irmãos também se convocam mutuamente a incluir essa questão específica no testemunho de paz da igreja. As quatro recomendações do documento são mais descritivas do que prescritivas. Cada distrito e congregação pode ser guiado pelo Espírito Santo em seu próprio caminho com seus vizinhos indígenas. Ações mais específicas devem surgir da construção de relacionamentos.
O corpo de delegados dedicou mais tempo do que o previsto à discussão da resolução, aprovando-a por ampla maioria.
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