Você já se viu esperando ansiosamente pela chegada de convidados em sua casa? Pilhas de objetos foram organizadas, teias de aranha foram removidas e delícias culinárias foram preparadas. Você está pronto!
Chega a hora e você espera, observando pelas janelas, cuidando de pequenos detalhes que não importam, aguardando junto à porta da frente para receber a visita esperada.
Passam-se cinco minutos, depois dez, depois vinte. Não era para ser assim. Você planejou tudo com precisão, preparou-se bem e agora se pergunta: "O que deu errado?". Você abre a porta da frente e olha para fora, procurando na entrada da garagem qualquer sinal do veículo que deveria estar lá. Corre para o calendário para conferir se a data está certa. Dá uma olhada no telefone, torcendo para que toque e avise que eles estão a caminho. Inclina a cabeça, à espera do som de uma porta de carro.
No entanto, a entrada da garagem está deserta. A data no calendário está correta. O telefone está silencioso. Você se sente inquieto, um pouco abatido e muito decepcionado. Você tira a bagunça dos armários, coloca as pilhas de volta onde estavam e se senta para saborear uma deliciosa sobremesa que não tem o mesmo gosto sem a presença dos seus amigos. A empolgação de uma hora atrás se perdeu em algum lugar atrás de uma teia de aranha que você percebeu ter escapado da sua limpeza anterior.
É então que você ouve algo na porta dos fundos. Parece uma manada de elefantes tentando fazer uma entrada triunfal (ou nem tanto). As pessoas estão rindo e gritando "Olá!". Elas tropeçam em botas e sapatos na entrada, tentando passar por caixas que deveriam estar no sótão. Você se levanta de um salto para recebê-las, se perguntando por que entraram pela porta dos fundos e por que estão tão atrasadas.
Você já pensou que tem a vida sob controle — que sabe como as coisas vão acontecer? Já viu seus planos se desfazerem, deixando você se perguntando: "O que está acontecendo?"
E quanto a Deus? Você acha que já compreendeu Deus completamente — que Deus age dessa forma, e de nenhuma outra? Você presume que Deus virá neste momento, estacionará neste lugar, caminhará até esta porta, girará esta maçaneta e entrará em sua vida exatamente quando você espera? Você acredita que Deus não virá antes do que você deseja, nem depois do que você pensa?
Em Isaías 55:8-9 encontramos estas palavras: “Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor. Porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos.”
Quer ouvir uma boa notícia? Não conseguimos compreender Deus completamente! Ah, nós tentamos. Colocamos Deus em nossas próprias caixinhas. Às vezes, até fazemos Deus "parecer" e "agir" como nós. Mas, na realidade, Deus é maior. Ponto final.
Paulo se junta ao coro com estas palavras em Romanos 11:33: “Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!” Quantas vezes já estivemos à espera, ansiosos, à porta da frente de nossas vidas, aguardando a entrada de Deus, apenas para descobrir que Ele está na porta dos fundos? Ou que talvez Deus já tenha entrado e esteja agindo, e nem sequer nos damos conta!
Existem muitos exemplos nas escrituras sobre esse Deus que age por "porta dos fundos".
Noé, um homem que encontrou graça aos olhos de Deus, encontra Deus à porta dos fundos com um martelo e a planta de uma grande arca, mesmo que nunca tivesse chovido antes. Que caminho mais elevado! Abraão — com seu filho, Isaque, um altar, uma faca e fogo — é outro exemplo. Isaque seria o sacrifício, mas então, à porta dos fundos — no último momento — a faca é detida, o teste é superado e um carneiro é providenciado.
E quanto a Moisés e os israelitas junto ao Mar Vermelho? Havia água à frente e o exército egípcio atrás. Imagine o medo e a angústia. Eles pensaram que iriam morrer naquele deserto e reclamaram com Moisés. Moisés os tranquilizou e então clamou ao Senhor. Era uma situação desesperadora. O tempo era essencial. Eles estavam indefesos sem a intervenção de Deus. Mas adivinhe quem entrou pela porta dos fundos? “O anjo de Deus, que ia adiante do exército de Israel, mudou de posição e passou para trás deles; e a coluna de nuvem, que ia de diante deles, se afastou e se colocou atrás deles” (Êxodo 14:19). Que tal essa proteção inesperada? O caminho da libertação foi uma trilha seca através do Mar Vermelho.
Davi foi chamado para enfrentar Golias. Ele "encontrou" Deus na porta dos fundos, onde havia cinco pedras — e bastou apenas uma para derrubar aquele homem alto.
Ester, diante da vida e da morte, escolheu defender seu povo, e na “porta dos fundos” encontrou um cetro de ouro que foi erguido em sua direção. Assim, houve ajuda para o povo judeu.
Daniel não parava de orar, mesmo que isso lhe custasse a vida, e, por um tempo, pareceu que realmente lhe custaria a vida. O que se passava na mente de Daniel enquanto aguardava seu destino? Ele verificou a “porta da frente” mais uma vez, pensando que talvez, só talvez, Deus estivesse lá? Quando chegou à cova, preparou-se para ser despedaçado? Quando Daniel ouviu a porta dos fundos fechar e percebeu, com alívio, que Deus havia chegado e que ele não seria o almoço dos leões, afinal?
E quanto a Sadraque, Mesaque e Abednego? Eles estavam destinados à fornalha ardente. Tinham certeza de que seu Deus era capaz de livrá-los. Mesmo que Deus não o fizesse, estavam determinados a não servir aos deuses do rei Nabucodonosor. O fogo era tão intenso que matou aqueles encarregados de lançar os três hebreus nas chamas. Para Sadraque, Mesaque e Abednego, a porta da frente não se abriu. Eles foram amarrados e lançados em uma fornalha em chamas. Mas Deus havia entrado pela “porta dos fundos” daquele inferno e os esperava. Quando saíram do fogo, seus corpos estavam ilesos, seus cabelos não estavam chamuscados, suas roupas não estavam queimadas e eles nem sequer cheiravam a fumaça. Novamente encontramos o Deus da porta dos fundos.
A história do Natal destaca, de uma forma maravilhosa, o Deus que entra sorrateiramente pela porta dos fundos. Nós não teríamos enviado um bebê. Não teríamos contado a meros pastores. Não teríamos vivenciado um estábulo sujo. Mas nós não somos Deus. Na verdade, esse é o ponto. Deus entrou sorrateiramente pela porta dos fundos naquela noite porque Ele sabia do que precisávamos. Precisávamos de um Salvador.
Vamos acolher o nosso Deus que age nos bastidores e não tentar controlar como, quando ou onde Ele age. E na quietude do seu coração, ouça atentamente o rangido da sua própria porta dos fundos.
Melody Keller mora em Wales, Maine, e é membro da Igreja dos Irmãos de Lewiston (Maine).

