Lembra-se da história bíblica do jovem Samuel? Ele estava dormindo no templo quando ouviu o Senhor chamar: “Samuel! Samuel!” O jovem Samuel respondeu: “Eis-me aqui!” (1 Samuel 3:4). Ele pensou que fosse seu tutor, Eli, quem o chamava, então correu até Eli novamente, dizendo: “Eis-me aqui”.
Imagino que a mãe de Samuel o tenha ensinado a responder dessa maneira quando ele era muito jovem, mesmo antes de ser enviado para ser criado no templo sob a tutela de Eli.
É apenas uma palavra em hebraico: hineini. Quando usada como resposta a um chamado, geralmente é traduzida na Bíblia como "Eis-me aqui". A expressão aparece com frequência e merece uma análise cuidadosa. É mais do que uma resposta educada que diz "Eu te ouço". É uma declaração de que estou presente, totalmente presente para aquele que chama.
Woody Allen disse certa vez: "Oitenta por cento do sucesso é simplesmente aparecer". O desafio não é apenas aparecer, mas estar plenamente presente, estar atento a quem você é, onde está e com quem está.
Pastores logo descobrem que as palavras, mesmo quando citam as escrituras, nunca são suficientes diante da tragédia. As palavras também se tornam insignificantes na presença de grande alegria. O que mais ajuda nesses momentos é a presença pessoal. "Eis-me aqui."
“Eis-me aqui.” Essa frase aparece em outros lugares da Bíblia. Isaque chamou seu filho e Esaú respondeu: “Eis-me aqui” (Gênesis 27:1). Quando Jacó quis que alguém levasse uma mensagem aos irmãos de José, disse a José: “'Seus irmãos não estão apascentando o rebanho em Siquém? Venha, eu o enviarei a eles.' Ele respondeu: 'Eis-me aqui'” (Gênesis 37:1).
Estar totalmente presente é difícil! Envolve estar presente no espaço, mas também estar presente no tempo, no "agora". Minha mente frequentemente divaga entre a expectativa do amanhã e a reflexão sobre o meu passado. Dizer "Aqui estou" significa abandonar minha obsessão com o passado e o presente e aceitar quem eu sou e onde estou no presente. Aqui estou, neste exato momento: um momento que nunca existiu antes e jamais se repetirá em minha vida. É, como sempre é, um momento sagrado.
Dizer “Aqui estou” também envolve estar presente comigo mesmo, identificar minhas emoções, assumir minhas falhas, confessar meus pecados e aceitar minhas forças. Aqui estou, por inteiro, exatamente como sou. Posso não estar onde gostaria de estar, nem onde finjo estar. Posso não estar onde os outros querem que eu esteja, mas se eu pudesse ser completamente honesto comigo mesmo, poderia sair da minha toca e responder: “Aqui estou!”
Há um ponto gritante na Bíblia onde a frase “Eis-me aqui” está surpreendentemente ausente. Em Gênesis 3:9, depois de comerem do fruto proibido, o homem e a mulher se esconderam de Deus. Deus chamou: “Onde vocês estão?”
O chamado de Deus ainda ressoa pelo mundo: “Onde você está?” A pergunta de Deus nem sempre se apresenta em palavras ou mesmo em categorias claras de pensamento. Muitas vezes, é um pequeno eco de mistério, intangível e indescritível. Cada relacionamento humano e toda a criação contêm a pergunta de Deus: “Onde você está?”, e anseiam por uma resposta. E cada vez que respondemos a esse chamado persistente com “Eis-me aqui”, descobrimos o “Eis-me aqui” de Deus em resposta.
Descobrimos que Deus pode estar mais pronto para dizer “Eis-me aqui” do que nós. Isaías 65:1 é especialmente revelador: “Eu estava pronto para ser procurado por aqueles que não perguntavam, para ser encontrado por aqueles que não me buscavam. Eu disse: ‘Eis-me aqui, eis-me aqui’, a uma nação que não invocava o meu nome.” Como disse Meister Eckhart, “Deus está em casa, somos nós que saímos para passear”. Mas se retornarmos para casa — isto é, retornarmos a nós mesmos — então retornamos à presença de Deus. Há uma profunda conexão entre aprender a estar totalmente presente e aprender a reconhecer a presença de Deus. Quando alguém se torna completamente “aqui”, não é difícil reconhecer que Deus também está “aqui”.
Se “Eis-me aqui” significa encontrar a si mesmo, também significa encontrar a sua missão. Quando dizemos “Eis-me aqui” a Deus, não se trata apenas de identidade pessoal, mas também de um compromisso com a ação. É assim que a frase se manifesta quando Deus chamou Moisés. “Quando o Senhor viu que ele se aproximava para observar, Deus o chamou do meio da sarça: ‘Moisés! Moisés!’ E ele respondeu: ‘Eis-me aqui’” (Êxodo 3:4).
O mesmo aconteceu com Abraão. “Depois dessas coisas, Deus pôs Abraão à prova. Disse-lhe: ‘Abraão!’ E ele respondeu: ‘Eis-me aqui!’” (Gênesis 22:1). E, novamente: “O anjo do Senhor o chamou do céu e disse: ‘Abraão! Abraão!’ E ele respondeu: ‘Eis-me aqui!’” (Gênesis 22:11). Jacó passou pela mesma experiência: “Então o anjo de Deus me disse em sonho: ‘Jacó!’ E eu respondi: ‘Eis-me aqui!’” (Gênesis 31:11).
Quando “Eis-me aqui” é usado dessa forma como resposta ao chamado de Deus, é uma declaração de disposição: “Estou pronto para servir”. Na visão do templo (Isaías 6:8), Deus disse: “A quem enviarei? Quem irá por mim?” A resposta de Isaías foi: “Eis-me aqui! Envia-me!”
As orações mais comuns são “Socorro!” e “Obrigado”. Que tal sua próxima oração ser “Eis-me aqui”, com tudo o que essa frase representa?.
Ministro ordenado, Bob Bowman é professor emérito de religião na Universidade de Manchester, em North Manchester, Indiana.

