"A Wind in the Door", de Madeleine L'Engle, reside no poder de Nomear (que ela escreve com N maiúsculo). Durante a maior parte do livro, a personagem principal, Meg Murry, está aprendendo o que isso significa.
O que fazem os Nomeadores? Eles ajudam aqueles a quem atribuem um nome a se tornarem mais quem eles foram destinados a ser. Se o seu nome não é conhecido, você se sente sozinho, explica o novo amigo de Meg, um querubim do tamanho de um dragão e com muitas asas. Ter um nome faz você ser mais você.
Um Vento na Porta é o segundo livro da Quinteto do Tempo de L'Engle. (Um filme de Ava DuVernay baseado no primeiro livro, Uma Dobra no Tempo, estreia este mês.) A série mistura fantasia e ficção científica, religião e mitologia. Seus personagens viajam pelo espaço e pelo tempo.
Neste livro, os inimigos que devem ser vencidos são os Echthroi (“inimigos” em grego). “Guerra e ódio são o negócio deles”, diz o querubim a Meg, “e uma de suas principais armas é a Des-Nomeação — fazer com que as pessoas não saibam quem são. Se alguém sabe quem é, sabe de verdade, então não precisa odiar. É por isso que ainda precisamos dos Nomeadores.”
Quando o destino do universo está em jogo, Meg descobre que a vida de seu irmão é o ponto crucial. Para salvá-lo, ela precisa passar por três provas. A primeira é muito difícil e ela quer desistir: ela precisa dar um nome à pessoa de quem mais detesta. Por que isso é tão difícil? Porque o poder por trás do ato de dar um nome é o amor, e ela precisa encontrar algo para amar na pessoa que odeia.
Mas é a provação final de Meg que parece verdadeiramente impossível. No momento culminante, ela percebe o que deve fazer: deve se apoderar dos Echthroi e preencher o vazio deles com amor. Mesmo sendo inimigos, ela deve nomeá-los.
Ler fantasia pode parecer uma forma de escapismo, mas pode nos ajudar a dar sentido às nossas vidas na realidade. Como reagimos quando cada dia traz notícias de mais um Des-Nomeado? Conseguimos imaginar outra forma de viver? Como podemos cultivar o amor não apenas por aqueles que não merecem amor, mas também por um inimigo declarado?
Podemos manter nossos olhos naquele que dá nome aos pardais e aos lírios, ao cobrador de impostos e à mulher junto ao poço, ao soldado romano e ao discípulo que falha. Na história divina, vemos que inimigos temíveis não são páreo para o amor feroz. “Não temas, porque eu te remi; chamei-te pelo teu nome, tu és meu” (Isaías 43:1).
Wendy McFadden é editora da Brethren Press e responsável pelas comunicações da Igreja dos Irmãos.

